Mariana era uma moça bonita, charmosa, calma e intelectual.Só tinha um defeito: Acreditava em príncipe encantado!
Em sua vida milimetricamente planejada havia espaço para sonhos mirabolantes com homens lindos, inteligentes e cheios de romance, daqueles que vinham num kit completo: flores, jantares, cinema, gentilezas...tudo.
Um belo dia Mariana viu acontecer o seu milagre, o príncipe dos seus sonhos a havia encontrado. Nem tão lindo, mas muito simpático;
nem tão romântico, mas muito gentil;
nem tão rico, mas muito carente..
pelo menos no início...
Com um convite para almoçar..abrindo portas, puxando cadeiras, em meio a muitos elogios, Mariana sucumbiu aos encantos do amor a primeira vista, ou quase isto.
Após um mês de encontros, ligações apaixonadas e de muitas promessas, acreditou mesmo que havia terminado sua fase de solteira e não demoraria muito para o convite..que até já havia sido feito, meio de soslaio..meio hipotético, para morarem juntos...era o céu.
Ocorre que Mariana nem havia contado ainda para as amigas toda a sua sorte no amor quando o rapaz a convidou para um almoço, normal, até então...
Um dia lindo de sol foram a um restaurante Italiano reservado. Levou-a para uma mesa ao ar livre, perto de flores e de onde se podia ouvir passarinhos cantando. Havia uma brisa suave que dava um toque romântico ao encontro.
Foi então que o caldo entornou.
O Rapaz começou seu último discurso, no último almoço de paz que Mariana teria "naquela vida".
- "Veja bem (...) tudo ocorreu muito depressa(...) estou meio assustado (...), não estou preparado e nem você (...), acho que agora não é o momento (...), sei que será melhor para você...(...)" - frases entrecortadas que Mariana escutada estupefacta, aleijada moralmente do seu grande amor...
-" como assim?" - pensava ela.
Acabar com as espectativas de um amor assim é como atirar alguém do Himalaia, você não chega vivo no chão.
E como todas as mulheres que começam a descer a ladeira da auto estima, pensava: "Que eu fiz de errado? Já sei, não devia ter feito isto..aquilo..." - E começava a lista de coisas das quais ela era a única culpada, daquele fracasso amoroso.
E pior, não era um simples fora, era o Príncipe dando o fora na Branca de Neve após o beijo na floresta, inadmissível até para uma criança.
Como toda mulher educada, não chorou, não fez drama, disse que compreendia e foram embora.
Deu um beijo de despedida, que ele fez questão que fosse no rosto e cada um entrou em seu carro.
Destruída, abraçada no volante de seu carro, chorou... e chorou...
Era a dor do vazio de não ser amada, sobretudo, amada como você sempre sonhou ser.
E lhe ocorreu a pior idéia de sua vida.
Resolveu não aceitar as explicações do rapaz e insistiu em mostrar-lhe o quanto ele a amava também, só não sabia...- ela pensava, pobre menina...
Ligou para ele, escreveu cartas de amor, foi na casa dele, levou presentes...
Conversaram... saíram... e ela o amou cada vez mais.
Mas agora, ao invés de gentilezas só haviam grosserias, no lugar da doçura ele lhe dedicava raiva e desprezo. Tudo o que ela fazia para lhe mostrar o seu amor se voltava contra ela e afastava-o mais ainda.
Cada vez que o afastava ela se desesperava mais e cometia o mesmo erro e ele, já nem conseguia mais manter algum contato emocional com ela.
Suas amigas a aconselhavam, mas ela não as escutava.
Não conseguia aceitar que tudo aquilo não tinha mais sentido e que nunca faltou coragem ao moço e ele sempre esteve preparado para o amor. Apenas não a quis mais.
Quando já nem se reconhecia mais e não sabia mais a diferença entre o vazio que vivia e a dor de cada briga que tinham - e eram muitas - acordou.
Chega uma hora em que o espírito da pessoa deve dar um grito de basta.
E deve ter sido isso o que aconteceu, pois Mariana simplesmente cansou. Teve preguiça de continuar a se flagelar daquela forma, e teve saudade de si mesma.
Neste dia parou com tudo. Deixou o moço em paz. Ele não gostou, pois era bom tê-la para limpar os pés todos os dias e hoje vive olhando-a de longe.
Mariana tinha amigos e eles lhe foram essenciais nesta decisão e após...
Apesar da paz que experimenta hoje, ela ainda guarda sequelas daquele sofrimento inútil, mas aprendeu que amar a si mesma lhe protege de jornadas suicidas e isso já meio caminho andado.
Ontem Mariana cruzou com um cara franzino, pequeno e cabisbaixo. Não o reconheceu de pronto, mas era ele. Passou ao seu lado e ela quase não o viu.
Ficou chocada.
Nem parecia aquele moço cheio de si, orgulhoso de sua posição social e das coisas que conquistou...
Ele passou ao lado dela, a viu, mas não disse nada.
E Mariana teve enfim a certeza de que tudo que vivera lhe fortaleceu e a fez muito maior do que jamais foi, tão maior que não foi possível nenhum contato naquela hora....
Esta é ma história real.
E como Mariana, muitas mulheres vivem hoje dramas semelhantes.
É preciso lutar contra relacionamentos destruitivos como estes e viver bem.
Beijossssssss








